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Questão UFO 23
"Você está certo disso, Bill?"

por Rodolpho Gauthier
Revisado julho 2006



Domingo a noite: Você está preparado? No duro? Valendo um milhão de reais: - Quem criou a expressão Disco Voador? Resposta A - Hebe Camargo, B- Kenneth Arnold, C- Chapolim colorado ou D- Bill Bequette?

Silêncio na platéia: - Respondo, Silvio. Opção B - Kenneth Arnold.

Silvio novamente: Mas já??? Você está certo disso? (...) Valendo um milhão de reais, qual é a resposta certa? (10 segundos de pura agonia) Resposta Erraaaada. Letra D - Bill Bequette (platéia: aaaahhhhh)

O rapaz, inconsolável: Não é possível, Silvio. Todo mundo sabe que foi Kenneth Arnold. Está em toda as revistas, livros, sites. Não é possível... Pô, Silvio. Não acredito nisso! Como?

Resposta dada pela produção do programa: "Em 24 de julho de 1947, o norte-americano Kenneth Arnold pilotava seu avião quando avistou nove objetos que avançavam em diagonal, emitiam flashes azuis e possivelmente atingiam uma velocidade de 1600 km/h. Esse avistamento teve grande repercussão nos EUA e gerou um onda de novos casos de estanhos objetos voadores. Quando descreveu o que viu, Arnold disse que os objetos se moviam como "peixes voando ao sol", como pires jogados na água. Porém o jornalista Bill Bequette mudou um pouco a coisa e disse que os objetos tinham forma de pires (flying saucer).

Pires que voavam. O mistério imediatamente intrigou a nação. Mais tarde, quando surgiram os pesquisadores de OVNIs, eles escolheram o dia do avistamento, 24 de julho, como Dia Mundial da Ufologia. Disseram que o caso do piloto foi o que inaugurou uma nova era na pesquisa de vida alienígena. Mas eles não sabiam que um importante aspecto do caso tinha sido alterado por um jornalista no momento em que ele tocava as teclas de sua máquina de escrever. Enquanto ufólogos dizem que foi Arnold, a História mostra que Bequette foi o verdadeiro criador da expressão."

Toda essa situação narrada é obviamente fictícia. Silvio Santos provavelmente nunca fará uma pergunta como essa. Contudo, as informações são reais. Keneth Arnold realmente não disse ter visto discos voadores. Foi um jornalista que disse que ele disse. Na foto ao lado, você pode ver como seriam os objetos que ele teria visto. Eles seriam parecidos com bumerangues. Ainda há uma grande discussão em torno desse caso. As principais hipóteses são três: Arnold pode ter visto discos voadores, meteoros ou aves em formação chamadas pelicanos. Mas essa polêmica fica para outro dia.

Implicações

Tão importante quanto a solução do caso são as conseqüências dessa pequena confusão. A repercussão do relato de discos (em inglês pratos) que voavam foi grande. Depois desse avistamento, milhares de pessoas afirmaram ter discos voadores. Embora esta não seja a única forma de OVNI relatada pelas pessoas, até hoje ela é muito "vista". O que aconteceu? Por que as pessoas não começaram a ver o que Arnold realmente observou?

Porque elas começaram a ver o que Bequette erradamente descreveu? "Será que os ets redesenharam suas naves para ficar de acordo com o erro de Bequette?" Ou pode ter sido tudo uma imensa coincidência: exatamente quando Bequette "criou"os discos voadores de Arnold, naves extraterrestres em forma de pires invertidos teriam começado a aparecer? Ou ainda, o mais provável, a população foi influenciada pela mídia a ver o que todo mundo via?

Através desse caso podemos perceber como o ambiente cultural influencia o surgimento de relatos de OVNIs. Nesse sentido, vale fazer fazer um paralelo com o Brasil. Recentemente, o ano de 1996 foi o que mais ocorrências foram registradas no território nacional. Ano de grande atividade alienígena na Terra? Talvez não. Coincidentemente este foi o ano em que estourou o caso Varginha. Além disso, em 1995 houve grande excitação devido à exibição da fraudulenta autópsia de um extraterrestre por um programa de TV grande audiência. O capacidade de influência cultural do "Quarto Poder" (a imprensa) não pode ser subestimada. Afinal, o mito dos discos voadores começou com o jornalista Bill Bequette, que era coadjuvante e virou protagonista da História.


 

 

 


Redondamente errados - artigo sobre as implicações do erro de Bequette.

Textos sobre a possibilidade de Arnold ter visto: pelicanos e meteoros