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Questão UFO 14
Vende-se carne de ET
Quinta-feira 28 de fevereiro de 2002
Revisado julho 2006.
Por
Rodolpho Gauthier.
Eram cerca de sete
crianças. Todas sentadas na calçadas depois de brincar.
Uma delas era caçoada porque tinha ficado com medo do ET
que aparecera na televisão. Segundo os amiguinhos, a
menina tinha ido "dormir com a mamãezinha de tanto
medo". Essa história real aconteceu em setembro de 1995
após o programa Fantástico da Rede Globo que exibiu
cenas de um suposto alienígena sendo autopsiado.
Dizia-se que era um dos corpos dos ETs que caíram em
Roswell, EUA, em 1947.
Fato ou Ficção?
O
dono daqueles poucos minutos de filme é o inglês Ray
Santilli. Ele conta que procurava imagens antigas para
um documentário quando conheceu um ex-cameraman do
exército norte-americano. O homem, de pseudônimo Jack
Barnett ou JB, gostou do produtor e vendeu-lhe a
"autêntica bomba".
A polêmica em torno da
autenticidade da película foi geral. Em poucos meses,
ela foi taxada como uma grande fraude. Muitos médicos
questionaram o modo como foram feitos os procedimentos
de abertura do cadáver. Outros disseram que seria
impensável realizar algo tão singular para a ciência em
apenas duas horas, tempo que nos deixa ver o relógio na
parede. Especialistas em filmes antigos também
observaram a má qualidade das cenas. Naquela época já
existia tecnologia para produzir filmagens coloridas e
de melhor qualidade.
Além desses detalhes,
muitos outros intrigaram o mundo. Porém, nenhum deles
pôde ser considerado como prova conclusiva da farsa. Se
tudo for realmente uma fraude, ela foi muito bem
montada. O telefone, o relógio de parede, as roupas, a
mesa e os objetos do filme eram usados em 1947.
Lucros
Se não se pode afirmar
com certeza que o filme é falso, as provas de que ele é
verdadeiro também não apareceram. Se elas existem, estão
nas mãos do dono. Ray Santilli poderia ter colaborado no
esclarecimento dos fatos de duas maneiras. A primeira
seria apresentar o ex-cameraman à opinião pública.
Embora isso não dependa só dele, parece não ter existido
muito esforço nesse sentido. Vários pesquisadores
buscaram informações sobre JB e encontraram dados
contraditórios.
A segunda contribuição
seria disponibilizar os originais para análise. A
averiguação por companhias independentes indicaria com
precisão a data de fabricação do filme. Mas Santilli se
recusou a liberar os fotogramas. Uma atitude, no mínimo,
suspeita. Ele disse, certa vez, que não disponibilizou-os
porque não queria cortar um filme "muito valioso".
O
filme é realmente muito valioso para Santilli. Após a
exibição mundial, dezenas de milhares de cópias da fita
foram vendidas em poucos dias na Europa. Além disso,
muitos milhões foram ganhos com as vendas das imagens às
cadeias de televisão. Provavelmente, foi o negócio mais
valioso da vida do produtor. Existe também uma versão conspiracionista que diz que tudo não passou de uma
manobra do Estado para desacreditar a crença nos OVNIs.
Será?
O fato é que a fraude é
tida como certa. Afinal, se o filme é verdadeiro, porque
Santilli não disponibiliza os originais para uma análise
científica? Aquela menininha pode continuar a dormir tranqüila.
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