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Questão UFO 12:
Araraquara: destino do ET de Varginha?
Quinta-feira 31 de janeiro de 2002
Revisado julho 2006

por Rodolpho Gauthier


Contam os historiadores que, há muito tempo, um morador de Araraquara não conseguiu se hospedar em uma pousada. O dono do estabelecimento disse que "não abrigava gente de ‘Linchaquara’. O apelido pejorativo da cidade nasceu devido a um episódio conhecido como Linchamento dos Britos. Em 1897, três assassinatos de caráter político e passional levaram a cidade às páginas policiais de vários jornais do país. A partir daí, o estigma de cidade dos linchamentos demoraria gerações para ser apagado da memória coletiva.

Semana passada, em um programa de televisão "Varginha, mais conhecida por seus ETs, tem... [notícia]". A alcunha de cidade dos ETs parece ter realmente se incorporado à cidade do sul de Minas Gerais. Um elogio ou uma expressão depreciativa? A partir de agora, cabe a sociedade varginhense escolher um modo de lidar com o mito criado em torno dos acontecimentos de 1996.

Esquecer ou lembrar?

Para parte dos moradores, a autenticidade do caso já não é tão importante. É preciso resolver o que fazer com a fama que torna a cidade internacionalmente conhecida. Varginha tem, pelo menos, duas opções.

A primeira é deixar apagar gradualmente da memória das pessoas a ligação do local com os ETs. A causa e o tipo de boato são diferentes de Araraquara, mas a solução seria a mesma. Contudo, como no caso do linchamento, pode levar várias décadas para que os fatos saiam definitivamente do dia a dia para ficarem somente nos livros sobre o passado.

Outra alternativa é tirar proveito do momento. Roswell, cidade norte-americana onde supostamente caiu um disco voador, fatura alto com bares temáticos, museus e parques. Varginha poderia fazer o mesmo. Porém, somente a aceitação e apoio do povo poderia conduzir a cidade por esse caminho. E não é isso que acontece. Parte dos varginhenses duvida do seu ET.

Certamente, algo muito estranho ocorreu no local em janeiro de 1996. Contudo, o mistério continuará até que surjam provas físicas ou relatos de novas testemunhas (inclusive militares), que confirmem as suspeitas.

Responsabilidade

Segundo a revista Galileu, as garotas que afirmaram ter visto o pequeno ser viraram motivo de piada na cidade, acusadas de serem oportunistas. Suas vidas viraram de cabeça para baixo. Isso mostram o tamanho da responsabilidade necessária quando se divulga assuntos delicados e importantes como esse.

A mídia e os ufólogos foram os principais divulgadores dos acontecimentos mal-explicados de Varginha. Parece não ter ocorrido má-fé dessas partes, mas as notícias explodiram na imprensa e até hoje afetam, direta ou indiretamente, a vida dos moradores. Cento e vinte mil habitantes na cidade, 120 mil perguntas do tipo: "Você é de Varginha? E aí, é verdade a história do ET?". Não há indícios de fraude, contudo também não existe prova definitiva. Esta seria a resposta mais coerente no momento.

Os acontecimentos podem ensinar uma lição óbvia, mas recorrente: o jornalismo e a ufologia devem ser exercidos com extrema responsabilidade e pensamento crítico. Os dois ofícios não são inofensivos e podem mudar a vida dos cidadãos para melhor ou pior. Portanto, nada de sair por aí falando que caiu um ET em Minas. Só o tempo dirá se Varginha será encarada como palco de um engano ou entrará no hall dos locais onde ocorreram importantes fatos da História da Humanidade.

 

 

 


Bibliografia:

TELAROLLI, Rodolpho. Britos - República de Sangue, Edições Macunaíma, Araraquara, 1997

Revista Galileu, Janeiro 2001, Ano 11, nª 126-  http://galileu.globo.com

www.varginha.mg.gov.br

www.e-varginha.com.br

www.infa.com.br