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Questão UFO 10
Pelados no Espaço
Quinta-feira, 17 de janeiro de 2002
Por
Rodolpho Gauthier.
Texto originalmente publicado no jornal “O Imparcial”.
Você
certamente conhece estórias de náufragos que jogam ao
mar garrafas com mensagens. Pois é, o que talvez você
não saiba é que a humanidade também já lançou suas
"garrafas". Em um oceano bem maior, o Universo.
Trata-se das naves dos
projetos norte-americanos Pioneer e Voyager.
Esses caríssimos artefatos lançados na década de 70
cumpriram sua missão: enviaram via rádio informações
sobre o Sistema Solar. Agora, vão deixando-o em direção
ao desconhecido. Silêncio ensurdecedor, escuro absoluto
e temperatura externa de –173 ° C. Essas são as
circunstâncias em que elas se encontram nesse momento.
Além de centenas de
quilos de equipamentos, as naves levam também mensagens.
A Pioneer 10 carrega uma placa dourada destinada
a possíveis extraterrestres que a resgatem (desenho na
página). O objeto está na lateral da sonda e mede
aproximadamente 15 por 29 centímetros. A idéia partiu do
astrônomo Carl Sagan (1934-1996). Seu objetivo era
informar a origem, época e responsabilidade pelo
artefato aos possíveis alienígenas. Mas... como fazer
isso?
A
linguagem universal
O meio escolhido foi a
Ciência, a única linguagem que compartilhamos com os
destinatários. Entre outras coisas, a mensagem contém o
desenho da explosão radial com as posições e períodos de
14 pulsars (no desenho são os riscos que parecem pernas
de aranha). Os ETs conhecerão a época e chegarão próximo
de identificar a origem da geringonça ao analisarem onde
estão tais pulsars e quando tinham a posição que a
figura mostra. Percebendo a representação do Sistema
Solar na parte de baixo, não restará dúvida sobre o
local de lançamento: a Terra.
A
parte de menor compreensão será provavelmente os
desenhos dos seres humanos com a Pioneer 10 ao
fundo. Devido a uma evolução diferente, os alienígenas
devem ser em nada parecidos conosco. Eles certamente
terão dificuldades de reconhecer que as figuras são de
outros animais inteligentes no Cosmo.
Os humanos não estão de
mãos dadas para que não se pense que o casal é um único
organismo unido pela ponta dos dedos. Do mesmo modo, a
mulher não aparece com o braço erguido em sinal de
cumprimento. O objetivo é evitar que os ETs julguem que
nós todos temos um dos braços levantado. Aliás, é pouco
provável que eles compreendam a saudação feita pelo
homem.
Houve preocupação
também em retratar traços físicos de várias raças.
Contudo, o ponto mais polêmico da placa foi a nudez.
Setores conservadores se insurgiram contra "o envio de
desenhos indecentes de gente nua para o espaço". Segundo
alguns "deveria ter sido desenhada uma cegonha
transportando uma trouxinha no céu".
Aliens,
aqui vamos nós!
Apesar da discussão, a
possibilidade de resgate da nave por extraterrestres é
bem remota. Nos próximos 10 bilhões de anos, ela não
chegará a nenhum sistema planetário. Quando encontrar um
porto, certamente todos estaremos mortos.
Talvez a lembrança da
placa terá sumido da memória coletiva. Ou, quem sabe,
nem a humanidade estará mais aqui para saber do fim de
sua solidão cósmica.
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