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Questão UFO 9
"Fraudamos um Disco Voador!"
Quinta-feira 3 de janeiro de 2002
Revisado julho 2006


Por Rodolpho Gauthier.

Texto originalmente publicado no jornal “O Imparcial”.


Eduardo (ou Ed) Keffel era alemão. Veio para o Brasil antes da Segunda Grande Guerra e trabalhou como fotógrafo na revista semanal O Cruzeiro. João Martins, engenheiro baiano, também era funcionário da revista, na condição de repórter. Esses homens, aparentemente tão diferentes, foram os principais protagonistas do primeiro caso de OVNI com grande repercussão nacional.

Ed bateu cinco fotografias de um disco voador na Barra da Tijuca em 7 de maio de 1952 (fotos na página). Martins estava junto e foi o responsável pelo texto que saiu no encarte especial feito às pressas. Os exemplares da edição se esgotaram em poucas horas. O Cruzeiro pode ser considerada "a revista Veja do período", por sua alta tiragem e influência.


Não houve outras testemunhas além dos dois. Na época, a Barra da Tijuca era um lugar um tanto deserto. Eles contaram que tinham ido fazer uma reportagem sobre casais que lá se refugiavam. Sentados na areia, viram um objeto parecido com um avião, mas voando de lado. Com rapidez, conseguiram registrar com riqueza de detalhes e nitidez o estranho disco.

A revista Ciência Popular foi uma das únicas a se insurgir contra "a psicose coletiva dos OVNIs". Entretanto, a Força Aérea Brasileira (FAB) concluiu pela autenticidade do evento. Quem diria... O baiano e o alemão conseguiram enganar até a FAB! Sim, as fotos eram falsas.

Declarações de ex-funcionários da revista e análises das fotos realizadas por institutos norte-americanos (GSW) e brasileiros (INFA) dão como praticamente certa a falsificação. Porém, não há um consenso sobre a intenção e real autoria dela. Uma armação da revista para vender mais? Ou uma brincadeira dos dois que acabou indo longe demais?

Keffel era considerado por colegas um gênio do truque fotográfico. Contudo, alguns apontam João Martins como mentor intelectual da história. Ambos falecidos, eles nunca admitiram a fraude.

Provavelmente, nem eles, nem a revista tinham idéia da repercussão mundial que a reportagem ganharia. O alemão conta que décadas depois ainda era reconhecido por populares. Chateado com o rumo dos acontecimentos, considerava esta a pior reportagem de sua vida: "Não guardo revistas, recortes de jornais, nada.Os bens materiais que possuo hoje já os possuía antes do disco. Não ganhei nada com isso". O baiano lidava melhor com o ocorrido e escreveu diversos artigos sobre UFOs nos anos seguintes.

 

 

 


Bibliografia:

SUENAGA, Cláudio Tsuyoshi. A dialética do real e do imaginário: uma proposta de interpretação do Fenômeno OVNI. Assis, Departamento de História, Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista (Unesp), 1999, pág. 27 a 37..

CARVALHO, Luiz Maklouf , Cobras Criadas: David Nasser e O Cruzeiro, Editora Senac, 2001. Trecho desse livro sobre o caso disponível aqui