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Questão UFO 8
"Fotografei um Disco Voador"
Quinta-feira, 27 de dezembro de 2001
Revisado julho 2006
Por
Rodolpho Gauthier.
Texto originalmente publicado no jornal “O Imparcial”.
Brasil, Ilha da Trindade, 12h15, 16 de janeiro de 1958.
Almiro Baraúna, 42, se sentia
enjoado. Ele estava a bordo de um veleiro da Marinha
chamado Almirante Saldanha. Desacostumado ao balanço do
mar, o fotógrafo havia esquecido de tomar a pílula
contra enjôo. Contudo, seu profissionalismo fez com que
ele estivesse a postos para fotografar o embarque da
tripulação. Depois de dias de expedição científica,
aquelas pessoas logo voltariam a ver o continente.
Repentinamente,
muitos gritos alvoroçados foram ouvidos no convés. "Olha
lá! Olha lá!" Um objeto, emitindo uma luz distante que
piscava, fazia manobras por entre o pico das montanhas.
Baraúna, munido de uma câmera Rolleiflex com tripé,
instintivamente começou a fotografar. Restavam apenas
seis poses em seu filme. Duas foram desperdiçadas devido
ao nervosismo e aos empurrões das pessoas que corriam
para ver o fenômeno. Quatro fotos conseguiram flagrar o
objeto. Duas delas estão nessa página. Após bater a sexta
fotografia, Almiro acabou derrubado pela agitada
tripulação.
Alguns
oficiais apontaram as armas para o estranho disco cinza
com "uma nuvem de vapor esverdeada". Vários pensaram ser
um objeto espionando as atividades da expedição. Não
houve tiros mas, segundo relatos, Baraúna ficou
abalado. Algum tempo depois, o filme foi revelado por ele
em um estúdio precário improvisado em um banheiro do
navio. Oficiais acompanharam a revelação e proibiram a
divulgação antes de uma análise da Marinha.
Contudo,
cópias dos instantâneos vazaram e logo a imprensa
noticiou escandalosamente o ocorrido. Quatro dias
depois, a agência internacional de notícias United
Presss levava ao mundo as fotos do brasileiro com enjôo.
Enquanto
a Marinha não divulgava seu parecer, o passado do
fotógrafo vinha a tona. Em 1953, ele havia publicado um
irônico e bem-humorado artigo no qual instruía o leitor
a juntar duas fichas de metal, amarrá-las em uma linha e
fotografar contra a paisagem. Que ironia. Alguém que
havia zombado dos OVNIs, fotografar um... Sabe-se que
anos depois, Baraúna veio inclusive a participar de
entidades ufológicas.
Ou seja, existe a possibilidade
de se tratar fraude feita por um experiente
profissional. Um embuste tão ousado a ponto de envolver
a Marinha. Almiro não enriqueceu devido às fotos, mas
sua carreira ganhou grande projeção.
Contudo, muitos
testemunhos de oficiais e de civis dados a Marinha e aos
jornais confirmaram a versão de Baraúna. O governo
soltou um parecer ambíguo. Nem favorável, nem contra. A APRO e a GSW, institutos
ufológicos norte-americanos, foram favoráveis quanto a
autenticidade das fotos em um análise realizada anos
mais tarde.
E então? Qual a
conclusão?
Existem vários argumentos contra e a favor. Provavelmente, só mesmo os
presentes naquele 16 de janeiro conheçam a verdade. Entretanto, falsas ou
verdadeiras, apenas essas polêmicas fotografias
dificilmente mudarão o rumo da História na atualidade.
Talvez a resposta nos seja dada pelo futuro, mais do que
pelo passado. Afinal, fotos já não bastam.
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