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Os 10 princípios de Philip Klass para a investigação de
OVNIs (parte 2 de 2)
por Timothy Printy
Durante os avistamentos de Ed Walters
em Gulf Breeze apareceram muitas pessoas afirmando terem
visto OVNIs. Estranhas luzes filmadas em Gulf Breeze
acabavam por se revelar simples sinalizadores amarrados
a balões ou então aviões comuns. As pessoas nunca teriam
percebido estes eventos se seus olhos não tivessem se
voltado para os céus devido à cobertura da mídia. Quando
as pessoas decidem olhar para o céu noturno, encontram
toda uma miríade de objetos que parecem estranhos aos
não conhecedores. As pessoas não têm suficiente
conhecimento sobre o céu noturno para determinar se o
que elas estão vendo é um OVNI ou não. Existem
satélites, planetas e meteoros brilhantes, aviões voando
alto e outros fenômenos que o observador não compreende.
Uma vez colocada a idéia de estranhos objetos voando por
aí, não demora muito para que indivíduos liguem o evento
às histórias dos jornais.
7. Ao tentar determinar se um
relato de OVNI é um trote, um investigador deve confiar
nas evidências físicas – ou na falta delas – e não deve
depender do juízo das testemunhas (Klass UFOs: The
public deceived 304).
O provável maior trote relacionado a
avistamentos de OVNIs já realizado ocorreu em Gulf
Breeze, Flórida. Lá, um homem chamado Ed Walters,
afirmou ter fotografado OVNIs com sua câmera. Ed era
considerado uma pessoa muito honesta por muitos na área.
Porém, William G. Hyzer, um especialista forense,
determinou que uma das fotos de Ed (número 19) era uma
farsa. Ele disse que "Não havia nenhum OVNI presente
e a foto é resultado de várias técnicas de revelação"
(Randle 78). A fotografia não é a única evidência para
provar o trote, mas é a chave. Se uma das fotos é falsa,
provavelmente todas as outras também o são.
Durante a investigação Condon, um
slide aparentemente irrefutável de um OVNI foi mandado
ao Comitê. Dr. Craig afirmou que os slides eram bastante
realistas e foram mandados por um piloto aposentado da
Força Aérea dos EUA. Contudo, depois de uma investigação
detalhada dos slides, foi descoberto que as fotografias
não tinham sido tiradas no momento que o piloto havia
dito. Quanto mais o Comitê se aprofundava na historia,
pior ela ficava. No fim, eles tiveram que devolver os
slides ao Major (que foi chamado de Major Y por Craig)
depois que o Major admitiu haver inconsistências entre a
história que ele contou e as fotos apresentadas. O Dr.
Craig escreve:
"Major Y aparentava ser a mais
confiável das testemunhas. Suas alegações de
experiências passadas foram confirmadas por seus
registros militares. Não havia nada em seu relatório
médico que provocasse qualquer dúvida sobre a veracidade
de suas afirmações. Seus associados atuais e passados o
consideravam como uma pessoa confiável e honesta. Ele
permanece no rol de pessoas que não fotografaram um
disco voador verdadeiro" (Craig 93) .
8. A incapacidade de explicar um
relato de OVNIs devido à falta de evidências, mesmo
depois de um grande esforço, não prova que espaçonaves
de outros planetas estão visitando a Terra (Klass UFOs:
The public deceived 304).
O Comitê Condon, assim como a Força
Aérea dos EUA, passaram por esta experiência. Allen
Hendry, o investigador do CUFOS, era um perito em
identificar a origem de OVNIs, mas ele não conseguia
identificar todos eles. Dos 8,6% de casos sem
identificação, ele determinou que muitos tinham uma
explicação possível, mas ele não tinha dados suficientes
para confirmar sua origem. O restante 1,5%, afirmou ele
eram "relatos convincentes com uma chance mínima de
uma explicação prosaica" (Klass UFOs: The public
deceived 86). Todavia, Hendry depois lamentou:
"Como posso ter certeza de que os
‘OVNIs’ restantes não são simplesmente OVIs (Objetos
Voadores Identificados) mal percebidos (honestamente)? O
clima emocional acerca do assunto (como revelado por
OVIs) parece poder suportar esta hipótese em um grande
número de casos de OVNIS, senão em todos... com nossa
atual incapacidade de diferenciar OVNIs de OVIs,
fantasias e trotes, junto com uma atmosfera emocional
agitada, posso apenas afirmar que sinto que
alguns relatos de OVNIs representam eventos
formidáveis... [mas Hendry reconhece que] apesar da
ciência poder ser começada com sentimentos, ela não pode
ser baseada neles" (Klass UFOs: The public
deceived 87).
9. Sempre que uma luz avistada
no céu ocasionar um pedido a um operador de radar para
procurar sinais estranhos em sua tela, invariavelmente
sinais estranhos serão encontrados. E vice-versa, sempre
que um sinal estranho for detectado pelo radar à noite e
um observador for mandado ao local para averiguar,
invariavelmente algo será visto (Klass UFOs: The public
deceived 304).
Durante a investigação Condon, um
incidente nas proximidades de Santa Bárbara, Califórnia,
gerou um caso Radar – Visual. Luzes vindas de navios em
mar aberto eram vistas como estranhas luzes
estacionárias. Quando isso foi visto, foram pedidas
checagens por radar. Estas produziram vários alvos com
diferentes velocidades. Mais tarde foi determinado que
esses sinais eram pássaros e condições de Propagação
Anômala (PA). Depois que o mistério foi resolvido, um
dos cientistas envolvidos fez o seguinte comentário:
"Eu acho que ... o incidente pode
ser um divisor de águas na área de estudos de OVNIS. Ele
combina tantos fatores. Em primeiro lugar, o incidente
envolveu toda uma gama de eventos associados, que foram
relatados por observadores respeitáveis. Combinou
múltiplos avistamentos de radar e ópticos. Ocorreu
recentemente e uma grande quantidade de dados está
disponível ... Foi peculiar o suficiente para que um
avião fosse mandado para investigar e também para que
investigadores locais e visitantes ficassem perplexos
mesmo à luz do dia. ..
Parece-me que grande parte da
dificuldade em explicar este evento (e possivelmente em
outros) não veio dos fatos em si, mas sim das
interpretações feitas e da importância dada a elas
quando foram consideradas em justaposições
inapropriadas. A maneira como isso foi feito sob pressão
ensinou, em minha opinião, uma lição importante" (Condon
et al. 365).
É interessante ressaltar que avistamentos Radar –
visuais não são mais considerados evidências de
extraterrestres. Agora ufólogos estão mais aptos a
aceitar que visitantes alienígenas possuem tecnologia
stealth (já que nós possuímos esta tecnologia). E mais,
o radar nos anos 90 é muito mais preciso do que há
trinta anos.
10. Muitos casos de OVNIS
aparentam ser complicados e inexplicáveis apenas porque
o investigador não se esforçou o suficiente na
investigação. (Klass UFOs: The public deceived
304)
Mais uma vez isso é verdade. Apesar
das alegações de rigorosas investigações de casos de
OVNIs, muitos investigadores a favor da ETH ignoram
pontos importantes, cometem erros sérios e acabam por
fazer pressuposições. O caso das fotografias de Trent é
um bom exemplo desse caso. Estas fotos foram tiradas em
1950 e foram examinadas pelo Comitê Condon. O Dr.
William Hartmann, que fez uma série de testes nas
fotografias, determinou:
"Este é um dos poucos relatos de
OVNIs em que todos os fatores investigados –
geométricos, psicológicos e físicos – são consistentes
com a afirmação de que um objeto voador prateado,
metálico com a forma de um disco de dezenas de metros de
diâmetro evidentemente artificial voou dentro do campo
de visão de duas testemunhas. Não podemos dizer que as
evidências descartam a fabricação do evento, mas alguns
fatores físicos, como a precisão de certas medidas
fotométricas nos negativos originais, argumentam contra
esta hipótese" (Condon et al. 407).
Contudo, Robert Sheaffer investigou
as fotografias e apontou uma grande inconsistência
nelas. As testemunhas diziam que as fotos tinham sido
tiradas à noite, mas sombras nas paredes indicavam que
essas fotos tinham sido tiradas de manhã. As sombras
estão tão inclinadas que não poderiam ter sido causadas
pela reflexão da luz em nuvens, como defendem alguns
investigadores a favor da ETH. Sheaffer descobriu que as
medidas fotométricas foram resultado de manchas nas
lentes e conduziu um experimento para comprovar suas
teorias. Sua conclusão sobre o assunto foi:
"Se admitirmos a possibilidade de
que a lente estava manchada quando as fotos de
McMinnville foram tiradas, então não precisamos atribuir
a estranha luminosidade dos OVNIs a uma dispersão
atmosférica que resultou da grande distância. A
aparência desfocada das fotos ajudam a suportar a idéia
de que as lentes estavam sujas" (Sheaffer).
Quando confrontado com as
inconsistências encontradas nos testemunhos, Sheaffer
concluiu:
"Não há base factual para rejeitar
a seguinte hipótese: aproximadamente às 8:20 da manhã do
dia 11 de maio de 1950, um pequeno modelo assimétrico
foi suspenso por duas linhas finas em cabos telefônicos.
Foi fotografado uma vez, teve sua direção mudada e então
foi fotografado de novo" (Sheaffer).
Essas informações acerca do horário
junto com as experiências com as lentes fizeram com que
o Dr. Hartmann mudasse sua opinião: "Acho que o
trabalho de Sheaffer remove o caso de McMinneville das
considerações sobre a existência de aeronaves incomuns"
(Klass UFOs explained 150). Ele também falou que
este caso "provou mais uma vez como é difícil para
qualquer investigador ... resolver todos os casos.
Talvez ninguém tenha experiência para isso, já que
existem muitos fenômenos e tipos de trotes" (Klass UFOs explained 150).
Trabalhos citados:
Condon, Edward U., et al., eds.
Scientific Study of Unidentified
Flying Objects. New York: Bantam, 1968.
Craig, Roy. UFOs: An Insider's View of the
Offfical Quest for Evidence. Denton: University of North
Texas Press, 1995.
Klass, Philip. UFOs Explained. New York: Random
House, 1974.
---. UFOS: The Public Decieved. Amherst:
Prometheus, 1997
Ley, Tim. FLYOVER EVENT CALLED "PHOENIX LIGHTS"
Online. Internet. Available WWW:
http://www.qtm.net/~geibdan/a1999/aug/b7.htm
Randle, Kevin. The
Randle Report: UFOs in the 90s. New York: M. Evans and
Company inc., 1997
Sheaffer, Robert. "An Investigation of the
McMinnville UFO Photographs" Online. Internet. Available
WWW:
http://www.patriarchy.com/~sheaffer/texts/trent.html
Spencer, John and
Hilary Evans ed. Phenomenon: Forty Years of Flying
Saucers. New York: Avon. 1988.
Steiger, Brad, ed.
Project Bluebook. New
York: Ballantine, 1976.
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