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Os 10 princípios de Philip Klass para a investigação de OVNIs

por Timothy Printy
Original em UFOs: A Skeptical View.

Publicado neste site com autorização do autor. Texto traduzido para o português por Nestor Tsu

Philip Klass é considerado o maior cético com relação à origem extraterrestre dos OVNIs. Philip escreveu vários livros sobre o assunto e, nos livros UFOs Explained e UFOs: The Public Deceived, ele fala de dez princípios para a investigação de notícias de OVNIS. Não concordo com todas as explicações dadas por Philip, mas o Sr. Klass levanta, em muitas de suas críticas, pontos muito interessantes. Investigadores a favor da hipótese de origem extraterrestre (ETH – Extra Terrestrial Hypothesis) muitas vezes ignoram muitos dos pontos levantados pelo sr. Klass. Este grupo de investigadores costuma ridiculariza-lo, pois considera as explicações de Philip absurdas. Contudo, devemos perceber que a ETH é igualmente absurda. Ela é o último recurso do investigador de OVNIs, que afirma que as testemunhas não poderiam estar erradas, sendo que a única explicação possível seria a ETH. Porém, é sabido que as testemunhas cometem erros, não importando o quão experts elas sejam. Trotes são feitos e até mesmo observadores experientes confundem Vênus e outros fenômenos comuns com OVNIs (durante a Investigação Condon, um cientista PHD confundiu Vênus com um OVNI). No momento em que percebemos que tais erros acontecem, devemos olhar estes "eventos extraordinários" e imaginar se são percepções errôneas de eventos incomuns ou se realmente são espaçonaves alienígenas. Quando ouvir um boato sobre OVNIs, é melhor ter em mente esses dez princípios básicos que o sr. Klass citou em seus livros

1.
 Pessoas honestas e inteligentes expostas a um curto e inesperado evento – especialmente um que envolve um objeto desconhecido – podem ser muito imprecisas quando tentarem descrever exatamente o que viram (Klass UFOs: The public deceived 303).

Este é um fato conhecido. Devemos checar o número de casos de OVNIs que foram identificados para percebermos como um indivíduo (ou mesmo um grupo de indivíduos) pode, facilmente, ficar empolgado a ponto de confundir-se com um fenômeno conhecido. Podemos examinar caso por caso. O investigador do CUFOS (do inglês Center for UFO Studies – Centro de Estudos de OVNIs) Allen Hendry determinou este tipo de situação como a solução para os mais de mil eventos que investigou. R. V. Jones também observou isso em sua palestra "A filosofia natural dos Discos Voadores":

"... testemunhas estavam normalmente certas quando diziam que algo havia acontecido em um lugar, apesar de poderem estar completamente enganadas quanto ao que aconteceu" (Condon, et al. 925)

2.  Apesar das limitações da percepção humana quando exposta a eventos breves, inesperados e incomuns, alguns detalhes lembrados pelo observador podem ser razoavelmente precisos. O problema enfrentado pelo investigador é o de separar esses detalhes precisos dos totalmentes imprecisos. Isso pode ser impossível até que se descubra o que era o OVNI, então, em alguns casos, isso se mostra como um problema insolúvel
(Klass UFOs: The public deceived 303).

Informações dadas por testemunhas estão sujeitas a erro. O que a testemunha imagina estar vendo pode não representar a realidade do ocorrido. Se houver uma explicação prosaica para o "avistamento", a informação dada pela testemunha pode ser tão enganadora que pode parecer que a explicação não condiz com o que foi avistado. Um exemplo perfeito ocorreu durante o incidente Zond IV em março de 1968. De acordo com o Dr. William Hartmann:

"O ponto importante em um caso como o da reentrada de Zond IV não é a qualidade das piores observações, e sim se essas observações juntas definiram e esclareceram o fenômeno. Meu bom senso diz que, juntos, os relatórios sugeririam uma reentrada a qualquer um familiarizado com o fenômeno. Não obstante, devo dizer que apenas uma parte, mais ou menos um quarto, dos relatórios aponta diretamente nessa direção, enquanto outro quarto é enganoso e o restante não é suficientemente detalhado para ser considerado um diagnóstico. Um repórter ou investigador que se interessasse pelo caso teria dificuldades em separar os bons dos maus relatórios" (Condon et al. 575).

Se apenas um quarto dos relatórios sobre um fenômeno conhecido era preciso, o que dizer dos relatos de OVNIs de apenas um indivíduo? Avistamentos em massa são um pouco mais fáceis de resolver. Nesses casos, podemos separar exageros dos dados reais escutando todas as testemunhas. Porém, muitos ufólogos preferem se concentrar nos exageros para refutar explicações triviais, ao invés de admitir que uma testemunha possa estar errada em algum ponto. 

3.   Se alguém que estiver observando um objeto desconhecido e estranho concluir que o objeto é uma espaçonave, ele pode, rapidamente, presumir que tal objeto está reagindo a sua presença, quando não há nenhuma relação causa – efeito (Klass UFOs: The public deceived 303).

Ocorrem muitos casos dessa natureza. Um bom exemplo é a atribuição de características a Vênus quando as testemunhas tentam persegui-lo. Em outubro de 1967, o Dr. Roy Craig, membro do Comitê Condon, foi para a Georgia investigar o caso de um OVNI que parecia fugir de perseguições, assim como também aparentava perseguir policiais. Neste caso, até um avião juntou-se à perseguição. O objeto aparentava acelerar para fugir do piloto e sempre mantinha a mesma distância. Dr. Craig escreve:

"A aparente perseguição ou fuga de veículos em movimento é uma característica de qualquer objeto distante que é imaginado estando próximo ao observador. Devido à grande distância do objeto, ele permanece na mesma direção em relação ao observador enquanto este se move. Comparado às árvores ou ao terreno próximo que mudam de direção quando o observador os ultrapassa, o objeto, mantendo uma direção constante, aparenta estar se movimentando na mesmo velocidade e sentido que qualquer observador que pense que o objeto não esteja situado a uma distância maior que seu ponto de referência" (Craig 47).

Outro caso é representado pelos OVNIs de Arizona em 1997. Tim Ley atribuiu muitas características ao seu avistamento e sentiu que havia efeitos psicológicos causados pelo OVNI. Ele escreveu:

"Quando ele passou pela primeira vez, senti um nervosismo em meu corpo, como um frio na barriga. A nave não estava fazendo nada de ameaçador além de estar muito perto. Ela só seguiu seu curso silenciosamente sem desviar-se. Acho que o nervosismo que senti era um tipo de efeito causado pela energia da nave passando sobre a gente. De algum modo, eu estava ‘sentindo’ a nave em meu sistema nervoso; assim como minha família. Era como se tivesse um tipo de campo se estendendo a partir da borda da estrutura. E nós podíamos senti-lo. Quando o campo passou sobre nós, as crianças começaram a pular, reclamar da falta de barulhos, mencionar ‘Independence Day’ e exibir sinais de histeria. Eles estavam até recuando, como se fossem correr de volta para dentro da casa" (Ley).

Mitch Stanley, a apenas 6,4 – 8 km a leste de Tim observou o "OVNI" ao mesmo tempo. Ele disse que cada uma das luzes do "Triângulo Voador" era, na verdade, um avião. Não havia nada além de aviões e o OVNI foi identificado.

4.  Jornais que dão muita importância a um relato de OVNIs, dão pouca ou nenhuma importância para explicações triviais quando o caso é resolvido
(Klass UFOs: The public deceived 303).

Um bom exemplo disso é o caso de Arizona. Em junho de 1997, três meses depois do evento, muitos jornais de alcance nacional deram manchetes de primeira página para as declarações exóticas de investigadores de OVNIs. Contudo, ao mesmo tempo em que os grandes jornais estavam indo atrás da história, um pequeno jornal independente publicou a verdade sobre os eventos. Este jornal foi o Phoenix – Newtime. Lemos, em sua edição de 26 de junho de 1997, sobre Mitch Stanley, que viu as luzes pelo seu telescópio. Ele conseguiu determinar que cada luz era um avião. Porém, o Arizona Republic nunca publicou qualquer história sobre Mitch, apesar de ter sido contactado por Jack Jones, outro astrônomo amador, que sabia das observações de Mitch. A edição de 25 de julho do Arizona Republic publicou os fatos acerca dos sinalizadores, que eram a origem de todos os vídeos amplamente divulgados na televisão. O Republic passou a história apenas porque os fatos estavam lá. Contudo, o Republic nunca publicou as observações de Mitch, apenas as mencionou de passagem um ano depois. A realidade acerca da cobertura da mídia destes eventos é que os escritores científicos não cobrem essas matérias. Escritores de entretenimento, que não têm nenhuma experiência sobre eventos nos céus, são quem escrevem tais matérias. O Dr. William Hartmann aponta a solução mais óbvia para este problema:

"Muitos escritores em nossa cultura, desde fanáticos e hipócritas até repórteres sinceros, não estão comprometidos com uma investigação e entendimento completos do assunto. Estão mais interessados em contar e vender uma boa história. Infelizmente há um efeito seletivo: se uma história de ‘disco voador’ for investigada muito a fundo, e for descoberto que não passava de um engano ou trote, o interesse e as vendas caem" (Condon et al. 583).

5.  Nenhum observador humano, incluindo tripulações experientes, pode estimar com precisão a distância/altitude ou tamanho de um objeto desconhecido no céu sem que haja um ponto de referência conhecido próximo ao objeto
(Klass UFOs: The public deceived 303).

Um problema comum enfrentado pelos investigadores de OVNIs. John Keel, um ufólogo a favor da ETH, escreveu:

"Estimativas de altitude são muito mais difíceis de serem feitas, mesmo por pilotos experientes. E, à noite, é quase impossível estimar a altitude de um objeto (normalmente apenas uma luz) de tamanho desconhecido... Portanto, estimativas de velocidades de OVNIs são, normalmente, imprecisas, assim como estimativas de altitude a não ser que o objeto esteja próximo de algo com altitude conhecida – algo como uma montanha ou um avião convencional" (Spencer e Evans 303)

E mesmo o astrônomo a favor de OVNIs, Dr. J. Allen Hynek, escreveu:

"... é óbvio que, normalmente, é impossível para observadores fazerem estimativas confiáveis quanto à velocidade, distância ou tamanho de tais objetos. Não é possível estimar com precisão a distância de objetos pequenos e brilhantes vistos contras o céu, a não ser que o objeto seja identificado primeiro... Devemos concluir, portanto, que a maioria das declarações acerca da distância, velocidade e altitude são completamente não confiáveis e deveriam ser descartadas. Isso é duplamente verdadeiro para observações feitas à noite" (Steiger 228)

6. A partir do momento em que a cobertura da mídia leva a população a acreditar que pode existir um OVNI nas proximidades, surgem vários objetos naturais e artificiais que podem, principalmente quando vistos à noite, obter estranhas características na mente de observadores esperançosos. Seus relatos então se somam à empolgação em massa e encorajam ainda mais pessoas a procurarem por OVNIs. Esta situação se auto-sustenta até que a Mídia perde o interesse e a poeira abaixa rapidamente (Klass UFOs: The public deceived 303-4).

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