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Sete virtudes do ufólogo cético

por Fernando Caldas



Ufólogos céticos investigam relatos de OVNIs (Objetos Voadores Não Identificados) e ETs (seres extraterrestres). Mas diferentemente dos ufólogos em geral, consideram que ainda não há evidências cientificamente comprovadas da presença de civilizações extraterrestres em nosso planeta. Para saber mais sobre as diferenças entre as principais correntes da Ufologia, leia o artigo Ufólogos místicos, clássicos e céticos,, que inclui uma tabela comparativa destas três tendências.



Virtudes

É comum o pensamento de que “os céticos não acreditam em nada”, ou seja, ceticismo é duvidar de tudo. Até no dicionário Aurélio isto aparece como uma das definições. Mas uma outra publicação, o American Heritage Dictionary, traz uma definição interessante: estado mental de dúvida ou questionamento.

Neste segundo sentido, ser cético é manter uma atitude permanente de questionamento diante das informações que recebe, estando alerta para distinguir o que está devidamente comprovado ou não. Isto é particularmente importante quando se trata de esclarecer relatos de OVNIs e ETs: será que tudo aconteceu exatamente como a testemunha descreve? Ela não pode ter se enganado? Será que existem outras explicações para o ocorrido? Questionar, procurando esgotar todas as possibilidades, é fundamental para que se possa chegar o mais próximo possível do que realmente aconteceu.

Mas é claro que ficar questionando o tempo todo, sem chegar a lugar nenhum, é improdutivo. Há conceitos, hipóteses de trabalho e conclusões que o ufólogo cético precisa adotar para realizar sua pesquisa. E a melhor referência para isto é seguir o que é considerado como comprovado pela Ciência.

A VIRTUDE Nº 1 É PRATICAR O CETICISMO, mantendo uma atitude permanente de questionamento.


No mundo atual, com jornais, livros, TVs e Internet, é impossível apreender tudo, mesmo sobre uma única área, como a Ufologia. É necessário saber selecionar o que é essencial. Quem acumula grande quantidade de informações sem utilidade nenhuma não deixa de estar mal informado. Além disso, quem se propõe a investigar com seriedade relatos de OVNIs e ETs também precisa desenvolver habilidades e conhecimentos em diversas áreas. Alguns exemplos são: informática (edição de textos, tratamento de imagens, desenvolvimento de web sites e banco de dados para um arquivo pessoal), fotografia e vídeo (principalmente para análise de fraudes), agronomia (na análise das alegadas “marcas de pouso” de “discos-voadores”) psicologia (alucinações, técnicas de entrevista e hipnose - nesta última, não para praticá-la, mas para compreender os seus potenciais e limitações), sociologia (compreender que casos de OVNIs e ETs constituem um fenômeno social), aeronáutica, astronáutica e astronomia (respectivamente para esclarecer certos casos de OVNIs que, na realidade, são aeronaves, estação espacial ou satélites, e corpos celestes, como o planeta Vênus).

A VIRTUDE Nº 2 É ESTAR BEM INFORMADO.


Conhecimento ajuda muito, mas não é tudo. O ufólogo cético não pode viver isolado. Precisa desenvolver relacionamentos com especialistas (aeronautas, fotógrafos, “videomakers”, psicólogos, agrônomos, etc) e cientistas (astrônomos, meteorologistas, sociólogos, etc) de diversas áreas que possam ajudar a esclarecer casos e a enriquecer seu trabalho de pesquisa e divulgação. Isto inclui também ufólogos de tendências opostas, quando houver pontos em comum, como por exemplo na explicação de muitos casos através de fenômenos da natureza, aviões, balões, satélites, etc. Para obter sucesso também na arte de se relacionar, o ufólogo cético evita caçoar daqueles que pensam diferente dele. Este ponto é tão importante que o físico e cético em relação às tendências clássica e mística da Ufologia, Carl Sagan, dedicou-se a ele em seu livro O mundo assombrado pelos demônios (pág 290).

A VIRTUDE Nº 3 É DESENVOLVER BONS RELACIONAMENTOS


Vivemos em um mundo no qual a atitude de questionar é relativamente pouco praticada. Muitas pessoas mantêm certas crenças porque não tiveram a oportunidade de examinar os dois lados de um tema. É muito importante que o ufólogo cético divulgue com clareza e simplicidade o que pesquisou e aprendeu de forma a criar oportunidades para que um número cada vez maior de pessoas desenvolvam um senso crítico sobre casos de OVNIs e ETs.

A VIRTUDE Nº 4 É DIFUNDIR CONHECIMENTOS e resultados de pesquisas.


Uma crítica freqüente aos céticos que escrevem sobre Ufologia é o pouco contato com testemunhas de casos. Não são raros os ufólogos místicos e classicos que afirmam que “se os céticos ouvissem as testemunhas, mudariam de opinião”. O ufólogo cético deve ir a campo, ou seja, conversar com testemunhas e visitar os locais de ocorrências, investigando pessoalmente o maior número de casos possíveis.

A VIRTUDE Nº 5 É IR A CAMPO, evitando permanecer somente nos aspectos teóricos.


Guardar dados de contatos pessoais, recortes de publicações, livros, fotos, fitas K7 e de vídeo, CDs, etc, sem organizá-los em um catálogo (de preferência informatizado) dificulta muito o acesso posterior às informações, criando obstáculos para as atividades de pesquisa e divulgação. O ufólogo cético precisa ter um bom arquivo pessoal.

A VIRTUDE Nº 6 É SER ORGANIZADO.


Em “Drão”, mais uma de suas belas obras de arte, Gilberto Gil canta um amor que pode morrer na “caminhadura”, a dura caminhada do dia a dia. O ufólogo cético precisa sempre ter em mente que é parte de uma minoria. E, como minoria, existe a tendência de se trabalhar em grupos pequenos ou até sozinho, o que pode desanimar com facilidade. Um outro fator que pode trazer decepção é o fato de que muitas pessoas dão mais valor ao misterioso do que ao explicado, desvendado. Um caso de OVNI cuja origem pareça ser extraterrestre tem muito mais espaço na mídia do que as explicações mais simples. São ossos do ofício de ufólogo cético.

A VIRTUDE Nº 7 É MANTER-SE DETERMINADO diante das dificuldades.


Estas não são as únicas virtudes que um ufólogo cético pode cultivar. Também não estão relacionadas em ordem de importância e não descrevem o autor deste texto.
Trata-se de uma referência a seguir.