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Para onde caminha e qual é o futuro da Ufologia Brasileira (parte 4 de 4)

por Carlos Alberto Reis


Como se vê, a Ufologia necessita nova abordagem. Chega de luzinhas no céu, de Chupacabras, de círculos ingleses que proliferam da noite para o dia sem que sua origem seja identificada. A disciplina ufológica tem se prestado a muito folclore, a muitas teorias não solidificas por provas e até por fantasias desvairadas. Como disse o experiente ufólogo Jaime Lauda, também inativo por motivos semelhantes aos meus, "... a Ufologia virou uma lata de lixo onde se joga tudo aquilo que não tenha uma explicação plausível dentro do conhecimento vigente". E isso foi dito há quase 20 anos, permanecendo uma realidade nos dias de hoje. Só que agora essa lata está transbordando de material tanto inservível quanto estragado. Aí está o 'ruído de fundo' preconizado por Osni Schwarz. É o equivalente a dizer que estamos sintonizando tantas estações ao mesmo tempo que não podemos ter uma imagem clara do que está realmente acontecendo. Essa é um posição apresentada há muito, por vários ufólogos, mas que não foi devidamente compreendida.

O leitor de hoje, que segue este artigo, é o principal herdeiro de qualquer atitude que venha a ser tomada em relação às mudanças que o assunto está exigindo. Já estamos em 2.000 e passamos os últimos 50 anos pesquisando um fenômeno que atordoou, balançou estruturas, revolucionou valores. Já era tempo de se ter algum resultado, mesmo considerando que no plano cósmico esse tempo é insignificante numa escala de bilhões de anos. Nossa própria civilização é também muito recente. Em contrapartida, nestes mesmos 50 anos, muitas áreas do conhecimento evoluíram magnificamente: a Medicina, a tecnologia em todas as frentes, a Astronomia, as ciências de um modo geral. O mundo viveu transformações profundas, cultural e socialmente. Mas a Ufologia não! Nem mesmo é reconhecida como ciência. Seus métodos de pesquisa, no fundo, permanecem exatamente os mesmos de quando tudo começou. Isso só pode nos levar a um conclusão: alguma coisa está errada...

Aos ufólogos em atividade fica o dever de buscar novas e ousadas propostas de trabalho, alterando os padrões dos pensamentos que nortearam as pesquisas até os dias atuais. Chega de luzinhas no céu! Antes de virem a público mostrar o resultado de suas pesquisas, que esgotem todas as possibilidades, estendam o leque de suas investigações a todas às áreas do conhecimento. Consultem, discutam e analisem criteriosamente a questão. Estejam certos de que estamos todos apenas tateando o Fenômeno UFO, abrindo caminho em meio a uma espessa bruma de mistérios e interrogações. O sentido último de sua natureza está presente em tudo - e, inclusive, no mais íntimo do ser humano. Baixem um pouco o foco de visão ao nível de seus horizontes e os ampliem para além das árvores que não lhes deixam ver o bosque. Saiam um pouco da Ufologia para - digamos - espairecer o espírito e desintoxicá-lo dos ranços e acomodações que o tema sutilmente impõe. Essa pausa momentânea poderá permitir vislumbres interessantes, novas perspectivas e talvez até um reposicionamento total conduta e tratamento da questão ufológica.

A você leitor - e por extensão ao público em geral - cabe uma cobrança e um aprimoramento de suas expectativas para aspectos mais consistentes, mais amplos e mais profundos desse debate. Posso estar errado, mas creio que você também não agüenta mais ouvir falar de luzinhas no céu, termo cuja repetição aqui se faz proposital? Finalmente, quanto à Revista UFO, sei que não é fácil reunir material inédito e suficiente para compor a cada mês uma nova edição - por isso mesmo o mérito pela longa existência. Mas urge reciclar o teor das matérias, ir atrás de novas fontes, incentivar os colaboradores a uma participação mais produtiva, em todos os níveis. Sei que isso é pedir demais, mas somente assim se impedirá que a publicação corra o risco de começar a andar em círculos. É hora de se dar uma guinada no leme do barco e apontar a proa em outra direção, desbravando novos mares. Ou isso, ou vamos continuar navegando em águas já conhecidas que, como vimos, não levam a lugar algum.

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