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Para onde caminha e qual é o futuro da Ufologia
Brasileira (parte 3 de 4)
por Carlos Alberto Reis
O que vai ser exposto a
seguir poderá parecer um contra-senso, mas vem embasado
em 20 anos de vivências ufológicas intensas,
acompanhando tudo o que se fez de mais importante em
nosso país nas décadas de 70 e 80. Foram dezenas de
simpósios, reuniões fechadas, vários congressos
nacionais e internacionais, pesquisas e reflexão. Foram
anos de muito estudo, discussões, correspondência com
pesquisadores do melhor gabarito, dentro e fora do país,
encontros de bastidores com personalidades do mais alto
nível e de todas as correntes, de análise absolutamente
imparcial, de bom senso, equilíbrio e ponderação, a
razão sempre prevalecendo sobre a emoção. E muita, muita
intuição. Por sua vez, os últimos 10 anos foram
aproveitados através da observação e do amadurecimento
livre de obrigações e compromissos com o tema, o que
representa uma bagagem razoável.
Pois cheguei à
conclusão e estou convencido de que o Fenômeno UFO está
sendo abordado pela perspectiva errada, e isso desde o
princípio - o que torna difícil, mas não impossível,
qualquer tentativa de correção de rota. Ora, você só
sabe que entrou por um caminho errado quando não
reconhece a trilha que está seguindo ou quando alguém o
informa de seu erro. Caso contrário, seguirá em frente
até encontrar um fim da linha! Mas onde estão esses
erros? Em minha opinião, um dos equívocos cruciais no
tratamento da Ufologia está na concepção excessivamente
empírica com que o fenômeno vem sendo estudado. Allen
Hynek já nos advertia de que a possibilidade de haver
vida inteligente no Universo é real, porém, que nossa
concepção sobre essa inteligência ainda é muito
provinciana. Temos que concordar, pelo menos em relação
ao assunto UFO.
Primeiramente, não se
pode mais aceitar naves e seres com a diversidade
alardeada visitando a Terra, pois isso pressupõe
centenas de milhares de mundos habitados, em condições e
características de vida muito semelhantes à nossa e
entre si. São civilizações interestelares aportando num
planetinha perdido numa galáxia com bilhões de astros à
sua volta, de olho em nossos recursos naturais e nos
usando para suas experiências biológicas! A pontaria é
formidável, mas as intenções nem tanto... Será que somos
tão interessantes assim? Mas "a casa do meu pai tem
muitas moradas", dirão alguns ufólogos. Certo, mas no
sentido astronômico ou filosófico? Para uns, tratam-se
realmente de planetas habitados. Para outros, das
múltiplas manifestações da presença de Deus em cada ser
vivente deste planeta. A escolha é livre, de acordo com
as necessidades e crenças de cada um.
Da mesma forma, também
não consigo conceber as estratégias de controle dos ETs
através de implantes na nuca, nas mãos, nas costas, na
cabeça, no dedão do pé, etc. Isso soa demasiada ficção
científica, muito a caráter para os nossos dias.
Precisam os alienígenas mesmo disso? Para monitorar
nossos passos, avaliar nossos sentimentos, rastrear
nossa intimidade, clonar nosso organismo para
experimentos genéticos? E se fosse para isso mesmo,
teríamos como impedir? Ou seriam os seres
extraterrestres viajantes do futuro que estão aqui para
intervir e preservar a Humanidade (e a si próprios) de
seu provável extermínio? Isso parece ainda maior
insensatez, pois não se percebe que tal teoria é absurda
e contraditória.
Vamos considerar por um
momento que se isso fosse possível. Sendo do futuro,
então não precisariam ficar preocupados como o passado,
pois eles chegaram lá, muitos anos à nossa frente e
viveram este passado. Se isso ocorreu, então saberiam
que não é necessária qualquer intervenção. Voltar ao
passado para quê? Se eventualmente tiverem que
interceder na preservação da espécie, quando chegarem
novamente no futuro, nessa mesma época, deverão voltar
para interceder de novo, e depois outra vez, e outra, e
outra... E nunca mais vão sair desse ciclo vicioso. Isso
não faz sentido, porque não se pode interferir no que já
aconteceu, simplesmente porque já aconteceu. A vida
segue seu curso exatamente como tem que ser. Não há
desvios, nem imprevistos. O condicional só tem validade
em relação ao futuro, nunca ao passado, e isso em termos
relativos.
Durante muito tempo,
principalmente quando a Guerra Fria ainda vigorava e
incutia temores em relação ao futuro em cabeças mais
sugestionáveis, advogou-se a tese de que uma intervenção
alienígena se daria para impedir a destruição do planeta
através do armamento nuclear, o que iria provocar um
desequilíbrio no Universo. Como a tal da Guerra Fria
esfriou de vez, a tal da intervenção também, e outra
teoria tomou seu lugar nas discussões ufológicas: a de
que há uma conspiração dos ETs para invadir nosso
planeta no momento adequado. Quanto a isso, a mesma
teoria alardeia que somente alguns escolhidos serão
preservados do Armaggedon. Mas que momento adequado
seria esse? Teriam os alienígenas a tecnologia
necessária para dar início a esse plano e acabar logo
com isso? Em caso afirmativo, o que os estaria detendo?
Essas questões são importantes, pois mostram a
fragilidade de hipóteses hoje bastante aceitas por
ufólogos de todo o mundo. Ainda considerando tal linha
de pensamento, quais seriam os critérios para se nomear
os escolhidos? Os que atingiram uma consciência cósmica,
os que seriam puros de coração, ou seriam escolhidos
como numa loteria? Por outro lado, os tão aludidos
contatos telepáticos com ETs já não acrescentam mais
nada ao nosso conhecimento do assunto - e ao que tudo
indica estão perdendo força. Assim como os relatos dos
abduzidos autênticos, que trazem mais confusão que
esclarecimentos à Ufologia.
Outra idéia ainda em
vigor é a de que as autoridades sabem dos fatos mas se
mantém no silêncio para não provocar pânico, impondo
respeito como detentoras de segredos inalcançáveis ao
mortal comum. Conheceriam a tecnologia extraterrestre e
as razões de sua vinda à Terra. Bem, isso também parece
inverossímil, pois creio que as autoridades permanecem
tão ignorantes sobre este assunto quanto qualquer um de
nós, mas vão continuar fazendo o jogo que sempre
fizeram. É conveniente, interessante e, até certo ponto,
eficaz, do ponto de vista deles. Se há uma manobra para
se esconder a verdade sobre o Fenômeno UFO, ela não é
tão gigantesca e poderosa quanto se imagina.
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