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Para onde caminha e qual é o futuro da Ufologia
Brasileira (parte 2 de 4)
por Carlos Alberto Reis
Assim, uso desse espaço
para tecer algumas considerações sem citar nomes, porque
o objetivo é alertar para o risco de se andar em
círculos indefinidamente - risco esse que já vínhamos
pressentindo quando éramos obrigados a repetir um tema
várias vezes, embora houvesse uma necessidade imperativa
sempre muito grande de reciclar conhecimentos, ir além
das aparências que o Fenômeno UFO teimava em nos
mostrar. Há 10 anos, quando estávamos ativos, incomodava
o fato de não podermos apresentar algo mais profundo,
que despertasse o interesse ou mesmo levantasse alguma
polêmica, assim como incomodava também quando o público
manifestava - e geralmente com razão - desagrado pelo
conteúdo repetitivo de uma palestra ou de todo um
simpósio. Por isso sinto que está faltando senso de
autocrítica e havendo excesso de acomodação para alguns
colegas pesquisadores na reavaliação de seus trabalhos.
Há muito tempo se
apresenta sempre a mesma coisa em torno de análises
fotográficas, implantes ou envolvimento militar nas
pesquisas. Não basta renovar o acervo de imagens, é
necessário renovar é o enfoque. As investigações sobre o
Chupacabras continuam sem resultado desde o final dos
anos 70, quando ainda era apenas o chupa-chupa, e até
hoje o mistério continua. O que isso tem realmente a ver
com Ufologia? Qual a ligação? ETs vampiros? Se for,
então atualizem pelo menos o nome, qualquer coisa como "chupa-tudo",
porque o bicho está atacando todo tipo de animal:
ovelhas, galinhas, cães, vacas, além, é claro, das
cabras. Quando o assunto dos discos voadores começa a
cair no esquecimento, algo tem que ser feito para
reavivá-lo, trazê-lo à ordem do dia, estampar manchetes
e convocar a mídia. E então aparece alguém divulgando
novas revelações sobre o tal Chupacabras, Roswell ou
alguma bombástica teoria sobre uma nova conspiração
alienígena... Tal procedimento é cíclico,
inevitavelmente.
Um amigo disse outro
dia que se a Ufologia pudesse ser comparada a um
paciente de hospital, o quadro seria crítico: internada
na UTI, míope, arrítmica, capenga, desorientada, com
insuficiência respiratória, dificuldade de comunicação e
quase surda! O prognóstico é desalentador - e parece que
só um tratamento de choque pode reverter a situação.
Ouvi alguém dizer que o público é rotativo e, portanto,
precisa ter a informação básica, o bê-a-bá da Ufologia:
quando e onde tudo começou, a casuística mundial, etc.
Será que precisa mesmo? Não estou tão certo disso. Será
que é isso que ele quer ouvir ou que ele precisa ouvir?
Então, por que a média de audiência em eventos de
Ufologia vem caindo gradativamente nestes últimos
tempos? Não será porque os participantes desses eventos
estão se cansando de assistir sempre as mesmas coisas?
Há pouco tempo houve
uma experiência interativa muito interessante com os
participantes de um simpósio, cujos resultados foram
excelentes. Sem nenhum tema previamente estabelecido,
permitiu-se que as pessoas levassem suas dúvidas,
abordassem polêmicas e debatessem com os conferencistas
sobre seus questionamentos maiores. Por que não
implementar tal experiência aos eventos ufológicos?
Sobre isso, o falecido ufólogo Osni Schwarz escreveu, na
edição número 03 de UFO, em maio de 1.988, um artigo
para reflexão. Em seu último parágrafo destaco um
aspecto que, a meu ver, está sendo ignorado pela maioria
dos que atuam hoje na Ufologia: "Já é hora de
reavaliarmos posições decanas. Creio que a casuística,
embora tenha contribuído sobremaneira para nos informar
sobre o Fenômeno UFO, também nos legou um 'ruído de
fundo' responsável por todos os indícios de incertezas
que ora presenciamos em nossos anais. Este background
está nos despistando de forma grotesca. Temos que rever
o acervo da casuística por um novo prisma. Algo
importante nos tem escapado". Gostaria que os amigos
leitores pensassem sobre isso.
Na edição seguinte,
quando entrevistado pela revista, expressei alguns
pensamentos - e permaneço fiel a eles -, aqui compilados
de modo a compor um painel no mínimo interessante, agora
para sua reflexão: "A Ufologia jamais terá uma resposta,
simplesmente porque é assim que a coisa funciona. Estou
convencido de que vivemos o primeiro capítulo da
pré-história da Ufologia, da qual nós fazemos. Os UFOs,
seja lá o que forem, continuarão seguindo o seu caminho.
Dizer apenas que ampliaram nossos horizontes cósmicos,
proporcionando a possibilidade de uma irmandade
galáctica, me soa insatisfatório". Como estudiosos,
ainda que afastado da Ufologia, continuo redimensionando
tudo o que leio, vejo, vivo e escrevi sobre o assunto,
retomando idéias, reavaliando posições e montando um
gigantesco painel imaginário para tentar encontrar elos
de ligação.
Até que ponto estamos
fazendo as perguntas certas? Se não modificarmos nossa
estratégia de trabalho, passaremos os próximos 40 anos
levantando as mesmíssimas interrogações. Se no ano de
2.028 alguém estiver lendo esta matéria, estará me dando
razão. Antes que se pergunte qual é, então, a razão de
se continuar tal trabalho, eu respondo: viver a história
significa fazer acontecer os fatos. Se uma sociedade
ignorar os acontecimentos políticos e sociais ao seu
redor, então ela simplesmente não poderá reivindicar
nada no futuro. Mas se ela participa, se ela
revoluciona, se ela contesta, então ela vive sua
história e traça seu próprio destino. Não nos
preocupemos com as respostas, mesmo porque não as
teremos agora... Vamos preparar o terreno para aqueles
que hão de nos seguir, pois estes sim poderão alcançar o
que buscamos. Estas são palavras expressas naquela
referida entrevista, há mais de 10 anos, e continuam
valendo!
Qual é então o caminho
a seguir? Bem, um dos motivos que pelos quais eu me
desvinculei da Ufologia talvez seja o mesmo que atinja o
leitor: ela simplesmente não cabia mais nos meus
questionamentos, não respondia às minhas perguntas e,
portanto, não fornecia respostas.A minha busca então
passou a ser cada vez menos exterior e mais interior.
Esse afastamento abriu uma outra perspectiva sobre o
Fenômeno UFO, uma visão muito mais ampla e não restrita
ao universo meramente tecnológico ou social nele
implicado. Mesmo não estando mais envolvido com o
assunto, gostaria de poder uma contribuição à Ufologia.
O fato de acompanhar à distância o desenrolar dos fatos
me permite fazer uma leitura neutra da paixão que o tema
provoca nos pesquisadores. Isso não me obriga a agradar
este ou aquele ufólogo com minhas observações e, se
houver maturidade inclusive ufológica, as críticas
lançadas a um e a outro deverão ser assimiladas pelo
lado construtivo.
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